
Ela chegou, com mais cinco colegas. Três molecotes desajeitados, uma menina gordinha e uma outra desapercebida. Pastas, euforia, vozes estridentes... Num almoço rápido de apenas uma terça-feira qualquer, ela deixou de ser uma guria qualquer. Como nunca percebi estar almoçando com ela? É correto que a rotina, a pressa, a cabeça ocupada com os próximos traços do belo ofício, impediam que um sonhador, agora, mais confuso, notasse seus olhos, e seu sorriso. Jennifer Connely...
Talvez em sua juventude não muito distante, a verdadeira Jennifer se sentisse honrada em perceber tamanha semelhança. Pois ali mesmo, no subúrbio carioca, pude me deparar, com um encanto sem igual, ou melhor, semelhantemente sem igual.
Os olhos, que sempre (como foi constatado) buscavam os meus, hoje me fisgaram com tamanha precisão e ousadia... Um sorriso quase intimidador. Não consegui resistir, fui obrigado a retribuir. "Ele é lindo, está sempre por aqui..." Ouvir o som da voz fina e suave, com o sorriso mais confiante e preciso ja visto, foi capaz de me fazer tremer, atirar para dez anos atrás, quando ainda eram pertinentes a vergonha e tímidez, diante de uma mera travessura juvenil.
Não importa, nem vinte e cinco anos são capazes de deixar no controle, um romântico diante de sua musa... Linda, alegre e precisamente determinada. Ela andava pelos corredores, entre as mesas, entre as garçonetes, entre os clientes, todos platéia, daquele espetáculo de sedução! E ela foi saindo, e os olhos (os mais belos olhos) ainda olhavam, fixos, destemidos, violentos. Hormônios que fazem qualquer rapaz se intrigar. Não é possível!
Não vou contar a intensidade do momento, e nem os fatos que ele irá causar. Olho para o céu nublado, vejo que tudo foi revirado, todas decisões, todos conceitos, tudo... Pelo visto, muitos alicerces foram abalados, todos por um único sorriso, um sorriso de Jennifer Connely.
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