Monday, April 23, 2007

Pequena


Uma Ilha paradisíaca, dias paradisíacos, um romance no Paraíso! No começo, lágrimas de um céu cansado de um calor contínuo, pareciam deixar um tanto úmida a ocasião. Mas não foi bem assim que aconteceu. No barco, reencontros, encontros e novidades. Pessoas antigas, amigos antigos, um novo estranho no ninho, um novo ninho!

Terra firme, um caminho... Na rota, terra batida, expectativas, e muita admiração. Na mochila, o vinho que não foi tomado, as taças que não foram usadas. No habitat, um novo ninho de amor, e lá os amantes. Uma trilha para os cantinhos tão preservados daquele pequeno Paraíso. Na verdade, não tão pequeno, na verdade, grande, uma Ilha Grande. Nas pedras cobertas pela maré que subia, nos olhos a risada de quem "aprecia a natureza"! Sob a mesa do bar, a insinuação, sobre a mesa do bar, a perdição.

Entre várias louras, um moreno meio metido a poeta, constatava sua inconstante lucidez! O paraíso não foi feito para os sóbreos. E lá eram sonhos, e sonhadores... Sonhos de um forasteiro, sonhos de meninas apaixonadas, sonhos de amigos de anos. Bons amigos, queridos amigos. Um sonho bom, livre e singelo.

A noite cai e no píer, alucinação. Risadas de um momento irônico, musa, muso e seus apaixonantes canalhas. Estrelas sintilantes, delírio sintilante, os cabelos dourados, escondiam alguém que muito se preocupava com seu entorno, e pouco olhava para o seu lado. Um poeta, aos poucos, sentia um amargo gosto de solidão. Nos seus delírios, censuras, nas brincadeiras, olhares críticos e intolerantes, e assim sucedeu...

Poucos conflitos, poucas acariações. Os beijos perdidos na preocupação com a "palavra". Um compromisso com os amigos, cego amante que dos olhos de sua paixão, se perde no querer construir um personagem de si mesmo. Mas tudo compreensível, afinal, era o compromisso social, nada mais tolo, ainda assim adorável.

Nas lagoas, os risos, a apreenssão. Na escuna, o funk cansativo, o axé dispensável, os inconvenientes dispensáveis. Ainda assim, uma certeza, era um paraíso para todos, nada mais democrático.

Num cantinho, um violão, nas cordas, "Otherside"...

How long how long will I slide
Separate my side I don't
I don't believe it's bad
Slittin' my throat
It's all I ever


E nos risos, um sorriso perdido de um admirador. Novamente um delírio, novamente uma canção, e duas, quatro, oito e cem... Melodias de um grande encontro, cenas de um grande encontro. Dessa vez, um encontro menos íntimo, ainda assim consciliador. Mais um capítulo de um belo romance, mais um capítulo, que como tantos, termina numa despedida, e o Rio chorava aquela partida, o céu, o poeta. Pequena Ilha, pequeno capítulo, mas na certeza da continuação eis a conclusão: grande momento!