Wednesday, November 22, 2006

Dona da Palavra


Sempre tão decidida, ela o conquistou. Odiada, repuldiada, mas indiscutivelmente respeitada. Não buscava os sorrisos de comissários de bordo, nem os elogios de vendedores de boutique. Seu objetivo, é o sucesso de sua luta, uma luta sempre travada contra o preconceito, contra a injustiça.

Batalhou legal tudo que conquistou. Menina, moça, mulher... Menina do Jardim, moça de Copa, mulher de Copa, concreta, objetiva e sensata. Muitas vezes, era a "Dona da Palavra", poucas palavras, algumas horas, brutas palavras, em outras, doces palavras suaves, singelas. Um sorriso único! Grande, uma grande mulher. No compasso do passo, na parceria deslumbrada, os passos. No ritmo, um som, no chão o ritual, afinal "Where is the Love?"

Sempre tão romântica, ela o conquistou. Amada, querida, mas indiscutivelmente radical. Buscava a companhia, a companhia verdadeira, seu legítimo afeto. Garoto, moleque! Nem sempre, os homens são feitos, quase sempre os grandes são meninos, e assustados com a atitude de nova mulher. Tempos modernos, mulheres no campo, armas nas mãos. Belíssima mulher, que mesmo na luta, mesmo na sua mais esplícita brutalidade, é feminina! Voz fina e suave, delicadeza na intimidade. Menina que canta "Viva Forever", que veste rosa, que passa batom!

Anda de salto, maior ela o é! Quem estará à sua altura? Lá de cima, ela vê um mundo que nem sempre lhe foi cordial, vê os meninos que a admiram, vê os verdadeiros amigos. "Dona da Palavra", sabe que só tem duas opções, e sabe que não tem muita escolha. Portanto, segue seu caminho, porque vê, porque conhece e porque é certa que a derrota, não estará no seu percurso.

Tuesday, November 21, 2006

Mais uma vez...


Os passos são mais pesados, os minutos correm tanto... O tempo foge, acaba, é o momento final! Quanta alegria na chegada, tantas emoções no durante, mas ali está mesmo é a tristeza do final. Nas malas, as lembranças do papo no bar, aquela peça de teatro chata, a praia lotada, a chuva. Na mochila, as noites de febre, o ciúmes diante de um olhar que sequer existiu, o anel que seria usado, o perfume da nostalgia.

Chora, e caminha, e olha para trás. Sabe que o verá de novo, mas ali, de repente é interrompida. Vontade absurda de jogar tudo pro alto, e correr, e voltar, e abraçar. Vontade absurda de gritar um amor sufocado pela distância, pelos limites de uma geografia bruta, uma física amarga. Antes o beijo fosse doce? Não o seria. Na face rosada, o beijo. Novas lágrimas... A mente confusa, o desespero de planejar um futuro há todo custo, coração apertado com a sensação de não estarem mais juntos.

E caminha, olha na escada rolante, a outra partida. Olha de novo, e os olhos aflitos, apaixonados e tenta controlar a dor de se afastar de um grande amor. Medo de perder seu grande amor. Aflição!

Última chamada. No estacionamento, não há vaga. No relógio, não há tempo. Na volta pra casa, não há ninguém no carona do carro. E os passos são ligeiros, na fila, o celular, "te ligo quando chegar". E sente a voz engasgada, sente que precisa ser mais forte, sente, que sentirá muita, mas muita saudade...

Thursday, November 09, 2006

O Berço

Da janela o Aterro. Luzes de uma cidade encantada, cúmplices da madrugada dos amantes. A princípio, um momento intrigante... Ao cair sobre a cama, a aprovação. Beijos apaixonados, um clima de romance no ar. Nada errado, tudo fora do lugar. Na taça o Cabernet Sauvignon, na boca as palavras trocadas, o sorriso embriagado. Mãos nas mãos, na pele o suor, nas faces avermelhadas o retrato. Os lábios com o desejo anunciado, o som, o sussurro.

Desde que se descobriu tolerante, desde que se viu livre, tinha medo de se sufocar, com os limites de um único e verdadeiro amor. Monogamia? O que seria isso? De um lado da cama, alguém se via cair num provável precipício passional, do outro, alguém escalava os difíceis degraus rumo à fidelidade. Não mais devaneios, não mais aventuras. Uma estrada presente entre dois corações, mas um só sentimento pode tornar singela a distãncia. Distância cada vez mais desproporcional ao tempo.

Água quente, água morna, pele branca e macia. Nos braços, um único momento congelado na memória, vivo e sempre verdadeiro. Nos olhos, o medo e angústia de uma breve despedida... Juras, perdões. Sagrada e profano, deitados no mesmo berço, um berço que aos poucos ganhava mais cor com o nascer do sol. Era o berço de uma nova descoberta, o berço de uma antiga possibilidade, o berço de um futuro arriscado, outrota, irresistível, outrora, sedutor!