
Gente fina. Mulheres finas, música fina, balada fina. Na taça, uma bebida fina, na pista, saltos finos, um tecido fino, um sorriso lindo dentro dos lábios finos. Lá estava ela, linda, loira, deslumbrada com o poeta amador, não tão fino, mas ainda encantador! Na pista eles flertaram, inocentes e deslumbrados. A noite correu e nem mesmo um beijo trocaram. Apenas as palavras dos coinscidentes geminianos... Ela, 19, ele 25! Escritores, atores e amadores... Indiscretos em suas opiniões, precisos em algumas decisões. Nada importante até então!
Semanas depois, um encontro acidental. Na mesa do bar, na sexta-feira de batidas na Barrinha. Ela chegou, ainda encantadora, com sua magia arriscada e perigosa. Mais uma loira em sua vida? Não, desejo proibido! Na mesa o jogo da verdade, os vários copos vazios, e as cabeças reviradas pela bebedeira típica dos deslumbrados. Verdade ou consequência? Na verdade, um falso, na consequência, um beijo, rápido e inocente... Risadas e palavras. Apenas uma brincadeira.
No dia seguinte, o beijo inocente nem mesmo era lembrado. Mas a nova loira, lembrava o encontro prometido. No encontro, loiras, e mais loiras. Ébrio e insensato, um beijo irresponsável, uma atitude profana. Eis a loira em seus braços, eis o peso de consciência.
Palavras errantes, um bêbado errante. Trevas num domingo de sol. Paixão, tesão, dúvida! Não é por direito a todos sentir indecisão? Com verdade, é derramado o peso da cobrança cega e estúpida. Palavras estúpidas, gosto amargo de traição. Verdade exposta, palavras expostas e o medo do fim! A loira, mais nem tão linda, os beijos, não mais inocentes. Armadilhas de um momento de solidão...
No desenrolar do pânico, a loira é por fim, preterida. Ainda linda, porém preterida. Acidente certo no instável percurso daqueles que se encantam. Lição correta para os que esquecem o encanto... Pois um encantador, por vezes encantado, também pode se errar em suas decisões!