
No restaurante, ela levanta o dedo e pede: "...uma Coca Zero, por gentileza!" No balcão do bar, ele pede: "...uma porção de batatas-fritas, por favor!" E por um acaso eles levantam o dedo. Eis a tentativa mais comum de se tentar pedir a atenção! Entre um pedido e outro, um muso pede um presente: um aniversário de atenção. Um dia só dele, uma tarde só dele e uma noite só dele!
Dias dos namorados chegando... Um vôo que chega na hora precisa, um moleque que chega na hora certa, um lugar que não se chega! Outrora, chegada, ainda sim tardia! Apenas os dois enamorados, e o seu novo lugar! Começava o momento pedido...
Atentos na saída para não esquecer o caminho, atentos na escolha do vinho, a atenção no beijo saudoso, a falta de atenção na escolha dos presentes! Presentes? Que presentes? Enfim, faltou um pouquinho de atenção! Mas ainda, muito se poderia fazer. Na estrada, falta de atenção na música da Britney Spears (ou seria falta de bom-senso?) No almoço, falta de atenção diante do tumulto. Mas no final do passeio, atenção redobrada na cabana da hidromassagem, ao som romântico do Blues, o incenso, as luzes de vela, o vinho e o corpo nú. "Feliz aniversário!"
A atenção faltou naquela hora do papo-cabeça. A pressão do projeto do futuro. O medo de enfrentar! O perfil do poeta que não permite que ele dê atenção às angústias com aquilo que ainda não aconteceu! Sem previsões, sem traillers, sem noção de final! Por que não deixar que o futuro conte o que queremos saber? Por que não escrever pausadamente todas as linhas daquela história? Por que não desfrutar de cada pequeno e precioso instante daquele momento tão íntimo?
No domingo faltou atenção naquele momento de amor! Houve atenção na mousse prometida, houve atenção na presença da musa, houve atenção na despedida. Atentos, apesar de isentos, seguros, apesar de eufóricos! Esse é o pedido que certamente será atendido.

