Tuesday, October 31, 2006

Visitante

O teclado permite o flerte de sempre. De um lado, um moleque carioca, dito safado, indescente, pornográfico. Do outro, uma Brasília tímida, ora ácida, ora assustadoramente doce. Incrível como algumas barreiras são tão ultrapassadas. A distância, até então poderia ser uma delas.

Na rotina das declarações e das mensagens fascinantes, eis que surge a palavra: "Saudades"! Então, o que parecia tão abstrato e tênue, começava a tomar um volume que poderia ser pesado para os dois amantes. "Estarei no Rio, daqui há duas semanas..."

Nasce uma mistura deliciosa de felicidade e ansciedade. Inexplicavelmente, o desejo traiçoeiro, escrevia novas linhas em um coração devasso, e estabelecia alguns limites ao aloprado jeito do ser.

Segunda-Feira, "Faltam quatro dias!";
terça-feira, "Faltam três dias";
quarta-feira "Faltam dois dias";
quinta-feira "vai ser amanhã!"
Sexta-feira chegou!

No Jardim, um lugar. Anscioso, um moleque sai "varado" em busca do telefone que toca. Do banho de dois minutos ao rodar acelerado dos pneus. No jardim, um lugar seguro. Cigarro na mão chegava a portaria, olhava as pessoas. Na portaria, Brasília. Não mais saudades, e sim, felicidades. Seja bem vindo, visitante!

Rua de boas lembranças. Tudo familiar. Um abraço saudoso, quanto tempo foi esperado aquele abraço? Um abraço amigo, confidente. Nos olhos a lembrança de quem pouco estava sóbreo! Na voz, o som de quem muito fascinava. Será uma noite encantadora!

Elevador, corredor. Um constrangimento típico frente aos desconhecidos, o amigo, a amiga... Putz, a amiga! Um sorriso alucinante, uma energia constante, um encanto. De constrangido à curioso. A bela do sorriso contagiante, irradiava carisma, na mesa do bar. O Gudan acesso, o sorriso alucinante, e ao lado, alguém demonstrava uma insegurança inesperada frente ao solto conhecido. "Solteiro no Rio de Janeiro!" Segredo? Sim, existia um segredo, que não mais segredo, foi responsável por uma suposta encenação. Da cena ao dilema. Linda coadjuvante.

Na pista da galeria, aquela velha galeria de tantas e tantas noites. Mais um dilema nos movimentos calientes e na música caliente... De repente, um olhar de ciúmes! Olhos de quem gosta, segredos, não mais secretos e os movimentos indescentes, a valsa indecente. Traiçoeira a insegurança de alguém que imaginava não poder competir. Competir? Com quem? Visitantes, uma vez, anfitriões deslumbrados, outrora amáveis, outrora amantes. Não haverá competição, visita. A visita está em casa...

Wednesday, October 25, 2006

Na Vitrola, "Blonde on Blonde"

"Cats and dogs are coming down
14th street is gonna drown
Everyone else rushing round

I’ve got blonde on blonde
On my portable stereo
It’s a lullabye
From a giant golden radio

I’ve got no time i wanna lose
To people with something to prove
What can you do but let them walk
And make your way down the block

I’ve got blonde on blonde
On my portable stereo
It’s a lullabye
From a giant golden radio
It’s a lullabye
From wonder-woman’s radio"

Nada Surf

Não tinha reparado a cor dos cabelos. Talvez o fosse, tudo já era tão especial! Antes do sono, um último beijo na testa. Ao abrir dos olhos, um primeiro retrato. "Blonde on blonde", que na vitrola há pouco toca, sonoplastia da cena. Um sonho que passa, um desejo às vésperas do real. Louros, cabelos louros. Interessante como as cores aos poucos saltam aos olhos, e sobre elas a luz e a química. Melodia doce e inspiradora...

Chuva Fina

"A Chuva fina
que cai do céu
em forma de gotas
A Chuva fina
que cai do céu
em forma de gotas

São pequenos grãos de água
que invadem minhas artérias
e me dão o frescor da manhã..."



Assim que conhecida, mudou um pouquinho a forma de sentir o fenômeno. Um fenômeno especial, num lugar comum, pessoas comuns. Apenas um encontro, mais um alguém. Outrora, uma canção especial. Encontro da arte com o ouvinte. Hoje faz parte do repertório. Sobre além da chuva, está a estrela, um dia desconhecida entre as nuvens, mas quem sabe maior, logo que a chuva passar...

Música escrita e composta por Gláucia Chris

Tuesday, October 24, 2006

Mensagens Fascinantes...


Pela manhã: "Bom dia!", pelo passar do dia, encontros... Ao final: "Como foi o seu dia?"

Rápidos momentos, textos curtos e práticos. Perto do celular, um sinal, um "plim": "Você recebeu uma nova mensagem!". De remetente conhecido, esperado, estimado, cordial. Mensagens inesperadas, esperadas, na verdade, há um longo tempo esperadas. Uma mensagem, duas, três, oitenta. Caixa lotada, coração completo, desejos sufocados.

Uma distância inimiga e cruel, uma tecnologia aliada e eficaz. Saudades? Sempre... Notícias, Sempre... Imagens digitalizadas denunciam o novo corte de cabelo, o humor, a cara de sono, o sorriso do bêbado, a graça do passeio, o nú do chuveiro, o olhar dos apaixonados.

Na festa, os amigos, mas no bolso, o flerte. Lugares cheios, vozes, músicas, mas no bolso está quem se espera. E a pequena luz acende: "Você recebeu uma nova mensagem!". E o remetente: Sim, o fascinate remetente.

Corações traiçoeiros. Nada práticos, nada sensatos. E a enorme estrada? Avião. E a saudades? Telefone. Será possível? O que era para ser apenas uma amizade colorida, ganhava mais cor. Mas não havia somente cor, havia brilho, havia fascínio, havia poesia, havia lirismo e havia... Ops! Chegou uma nova mensagem.

Friday, October 20, 2006

Uma "Xêpa" Especial!


Final do baile... Um Rio de Janeiro nada consciente. Palavras são perdidas em ligações perdidas, encontro perdido, enfim um "perdido". Uma nova travessura, novas travessuras. Apesar de uma ligação, do fascínio, o típico deslumbrado, acabou na típica inconsciência. Surpresa! Numa Brasília sensata e ora paciente, no dia seguinte, os últimos momentos seríam decisivos.

Assim o foi. Decisivo. Um novo encontro, uma Brasília linda, consciente, bem dormida, ao lado de uma "Xêpa" carioca, perdida numa ressaca medonha, cabelos desgrenhados, uma péssima apresentação. Mas os beijos e as palavras foram mais importantes. Os olhos nos olhos, uma saga que vinha começando a ser traçada. Uma distância inevitável, mas um desejo lascivo e ardente, pulsavam em dois corações! Um desejo incontrolável, permitia o telefone tocar sem resposta. O tempo inimigo, o lugar público, e um desejo incontrolável.

Assim o foi. Ousado. Destemido, sem vergonha! O jeito típico de quem não se preocupa com o futuro, conduzia os fatos ao inevitável... Assim brotava uma paixonite, dessas que passam em duas semanas. Nada sério, nada que pudesse despertar preocupação. Amigos? Com certeza. Amantes? Bem provável... Enamorados? Uma excelente pergunta...

Assim o foi. Despedida... Celular, MSN, orkut. Nem a maior estrada do mundo poderia separar, aqueles que de fato, querem se encontrar de novo. Aqueles que querem se descobrir. Os que querem se despir...

Assim não foi. Apenas um final de semana. Apenas um bom beijo. Apenas um flerte típico de quem adora flertar. O coração livre, o sujeito do mundo e de todos, já não seria mais tão generoso com o mundo. Não foi apenas um encontro casual... Numa hora da "Xêpa", o que parecia ser tão descartável, estava prestes a se tornar, simplesmente especial!

Wednesday, October 18, 2006

Uma história de amor...


Lá estavam, após algumas tulipas de chopp, uma garrafa de vinho e uns tapinhas, lá estava... Uma dupla em família, gostos peculiares, atitudes peculiares! Polêmicos? Talvez, mas ainda assim sonhadores, atores, agentes da arte da vida. Meninas... Meninas e meninas. Lindas, bocas vermelhas, peles macias. Bocas e bocas... Ao fundo, os anos 80 que tantam insistem nesse cenário atual. Foram experimentadas muitas bocas! Um Rio de Janeiro, que apesar de ser Brasília, era um Rio. O Rio que despertou muita curiosidade, o Rio que experimentou muitas novidades, o Rio que dança, o Rio que beija, o Rio que pára e olha na varanda...

Os olhos que não fogem, o sorriso que não se apaga, que não se esquece... Uma noite comum, dentro de corriqueiras travessuras, uma noite incomum, quando encontrada uma nova história. Uma história sim, mas não uma história de paixão, como tantas outras, mas uma história de amor. Quem poderia imaginar, que ali, nas ferrugens, poderia começar uma nova história de amor?


Ferrugem, ferrugens... Uma festinha moderninha, figuras moderninhas... Mas ali na varanda, um encontro: "Então você é o cara?", qual cara? "O cara que estou olhando desde que cheguei aqui", "Você é o Cara!"

Arquitetura, signo de gêmeos, Brasília... O primeiro beijo sob a varanda, que até hoje tem carioca que acredita ser uma árvore, mas enfim era Brasília, palavra de quem estava muito mais sóbrea, foi sob a varanda! Um beijo, novos beijos, desejos! O desejo de despir aquele corpo que tinha o melhor abraço da noite. A boca, que apesar de tantas bocas, era a única que conseguia iludibriar um poeta. Um novo amante? Será? Nada seria muito possível de se planejar, afinal, entre Rio e Brasília existe uma grande estrada...

Mas a noite não acabou assim. Um telefone trocado, apenas um. Apenas Brasília poderia decidir o futuro encontro. Um beijo de despedida. Mas como um bom carioca, um bom primo, um bom amigo, um beijo irresponsável poderia colocar tudo a perder... "Fica de olho, se alguém se aproximar, me avisa!" E lá foram novos beijos... Beijos sem paixão, sem tesão! Apenas beijos, um curioso, um bom primo, só um beijo, pra quem aprecia a arte. Afinal, ainda seria a hora da fidelidade? Que fidelidade? Fidelidade a uma paixão impossível, não é possível, apesar do desejo pelo telefonema do dia seguinte. Mas Brasília assiste, que decepção! Vergonhoso, um irresponsável, uma última travessura.

Será que tudo estaria perdido? Muitas horas de espera... Mas para essa história de amor começar, é claro que um telefonema precisava ser dado! Se dependia de Brasília, então é possível imaginar o que aconteceu! Brasília escreveu, Brasília buscou! Acho que estava começando a gostar de Brasília!